Em cerca de 40 semanas, o corpo passa por uma série de transformações para permitir o desenvolvimento do bebê. Algumas são bastante conhecidas, como o crescimento da barriga e o aumento da vontade de urinar. Outras acontecem sem que a gestante sequer perceba.
Ao mesmo tempo em que o bebê forma órgãos, desenvolve os sentidos e cresce, o organismo materno adapta o metabolismo, a circulação, os hormônios e até as articulações.
Conheça algumas mudanças e curiosidades sobre o que acontece durante a gravidez, e entenda por que o acompanhamento pré-natal é importante ao longo de todo esse processo.
1. No início da gravidez, o hCG ajuda a acompanhar a evolução da gestação
Nas primeiras semanas, pode ser cedo demais para visualizar algumas estruturas da gestação pela ultrassonografia.
Nesse período, o médico pode solicitar a dosagem de beta-hCG, hormônio produzido durante a gravidez. Em algumas situações, mais de uma dosagem é feita para observar como os níveis estão evoluindo ao longo do tempo.
Mas é importante fazer uma ressalva: não existe uma única curva de crescimento que determine, sozinha, se a gestação está evoluindo normalmente. Os resultados precisam ser interpretados pelo médico em conjunto com a idade gestacional, os sintomas e, quando indicado, a ultrassonografia.
2. As impressões digitais começam a se formar ainda no útero
As características que darão origem às impressões digitais começam a se desenvolver durante a gestação. E elas não são determinadas apenas pela genética. Pequenas variações no ambiente intrauterino e no desenvolvimento fetal também participam da formação desses desenhos.
É por isso que nem mesmo gêmeos idênticos têm impressões digitais exatamente iguais.
3. As necessidades de nutrientes mudam durante a gestação
Durante a gravidez, aumenta a demanda do organismo por diversos nutrientes importantes para a mãe e para o desenvolvimento do bebê.
O ferro é um exemplo: sua necessidade aumenta significativamente durante a gestação, e níveis inadequados podem contribuir para o desenvolvimento de anemia.
Por isso, exames laboratoriais fazem parte do acompanhamento pré-natal e ajudam o médico a avaliar a saúde materna e identificar alterações que podem precisar de acompanhamento ou suplementação.
A suplementação durante a gravidez deve ser feita conforme orientação profissional, e não apenas com base em sintomas, que muitas vezes nem aparecem.
4. O bebê também participa dos processos que levam ao parto
O início do trabalho de parto é resultado de uma interação complexa entre o organismo materno, a placenta e o bebê.
Nas últimas fases da gestação, o amadurecimento fetal — inclusive dos pulmões — participa de mecanismos hormonais e inflamatórios relacionados à preparação para o nascimento. Não se trata, portanto, de um único hormônio funcionando como um “aviso” de que chegou a hora, mas de uma sequência de processos biológicos que ainda é objeto de estudo.
5. Fazer xixi com mais frequência é comum (mas alguns sintomas merecem atenção)
A vontade de urinar com frequência pode aparecer em diferentes momentos da gravidez. Alterações hormonais e, conforme o útero cresce, a pressão sobre a bexiga ajudam a explicar esse sintoma.
Mas ardência ao urinar, dor, febre ou outras alterações não devem ser automaticamente atribuídas à gravidez.
Infecções urinárias precisam de atenção especial durante a gestação e podem, inclusive, ocorrer sem sintomas. Por isso, exames como urina tipo 1 (EAS) e urocultura podem fazer parte do acompanhamento pré-natal conforme orientação médica.
6. O bebê começa a reconhecer características da voz ainda na barriga
Durante a gestação, o sistema auditivo do bebê se desenvolve progressivamente e, no terceiro trimestre, ele já é capaz de perceber sons vindos de fora do útero.
Pesquisas indicam que essa exposição pode influenciar a maneira como recém-nascidos respondem à voz materna e aos padrões sonoros da língua que ouviram durante a gestação.
Em outras palavras: antes mesmo de compreender palavras, o bebê já teve contato com o ritmo e a entonação da língua falada ao seu redor.
7. Músicas ouvidas durante a gravidez podem ser reconhecidas depois
A música também chega ao bebê ainda no útero.
Estudos sobre memória fetal indicam que recém-nascidos podem apresentar respostas diferentes a melodias ou sons aos quais foram expostos repetidamente durante a gestação.
Isso não significa exatamente que o bebê tenha uma “playlist favorita”, mas mostra que algumas formas de aprendizado e memória começam antes do nascimento.
8. Células do bebê podem permanecer no organismo da mãe por muitos anos
Durante a gestação, ocorre uma troca de células entre mãe e bebê através da placenta. Algumas células fetais entram na circulação materna e podem permanecer no organismo mesmo décadas depois do nascimento. Esse fenômeno é chamado de microquimerismo fetal.
Pesquisadores já identificaram essas células em diferentes tecidos maternos. Seu papel no organismo ainda é estudado, inclusive sua possível participação em processos de reparação de tecidos e em algumas doenças.
9. As articulações podem ficar mais flexíveis
As alterações hormonais da gravidez também afetam ligamentos e articulações. Hormônios como a relaxina participam das adaptações do corpo para acomodar a gestação e preparar a região pélvica para o parto.
Por isso, algumas gestantes percebem maior frouxidão ou instabilidade nas articulações.
Dor intensa, inchaço importante, vermelhidão ou dificuldade para se movimentar, porém, devem ser avaliados pelo médico.
Por que os exames de pré-natal são importantes?
Muitas das transformações da gravidez são esperadas. Outras precisam ser acompanhadas para que possíveis alterações sejam identificadas mesmo antes de provocarem sintomas.
É por isso que os exames fazem parte do pré-natal. Dependendo da fase da gestação e da avaliação médica, podem ser solicitados hemograma, glicemia, exames de urina, sorologias, tipagem sanguínea e outros testes.
Não existe uma lista única de exames adequada para todas as gestantes: o acompanhamento deve considerar o histórico e as necessidades de cada pessoa.
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