HPV: o que é, como se transmite e como prevenir o câncer do colo do útero 

O HPV (Papilomavírus Humano) é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maior parte dos casos, o próprio organismo elimina a infecção. Em alguns, porém, o vírus persiste, e é essa persistência que pode levar ao desenvolvimento de lesões precursoras e, eventualmente, ao câncer do colo do útero. 

Entender o que é o HPV, como ele se transmite e quais exames realmente previnem o câncer é fundamental para organizar o cuidado de forma objetiva. 


O que é HPV? 

HPV é um grupo com mais de 200 tipos de vírus. Eles são divididos em: 

  • Tipos de baixo risco: associados principalmente a verrugas genitais. 
  • Tipos de alto risco: associados ao desenvolvimento de câncer, especialmente o câncer do colo do útero. 

Entre os tipos de alto risco, os subtipos 16 e 18 são responsáveis pela maior parte dos casos de câncer cervical. 

Ter HPV não significa ter câncer. A infecção é comum; o câncer é consequência rara e tardia de infecções persistentes que não foram identificadas e acompanhadas. 


Como o HPV é transmitido? 

A transmissão ocorre principalmente por contato sexual — vaginal, anal ou oral — inclusive sem penetração completa. O uso de preservativo reduz o risco, mas não elimina totalmente a possibilidade de transmissão, porque o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha. 

É possível ter HPV mesmo estando em relacionamento estável. O vírus pode permanecer latente por anos antes de ser identificado. 


O que é o câncer do colo do útero? 

O câncer do colo do útero se desenvolve lentamente. Antes de se tornar câncer invasivo, surgem alterações celulares chamadas lesões precursoras. 

Essas alterações podem ser detectadas por exames de rastreamento, o que torna essa doença altamente prevenível quando há acompanhamento regular. 

Sem rastreamento, o câncer pode evoluir de forma silenciosa por anos. 


Como prevenir o câncer do colo do útero? 

A prevenção se baseia em três pilares: vacinação, rastreamento e acompanhamento adequado. 

1. Vacina contra HPV 

A vacina protege contra os principais tipos de HPV associados ao câncer e às verrugas genitais. 

No Brasil, a vacinação é recomendada para: 

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos (pelo SUS). 
  • Pessoas imunossuprimidas até 45 anos (em situações específicas). 

Mesmo mulheres adultas que já iniciaram a vida sexual podem se beneficiar da vacina, dependendo da avaliação médica. 

A vacina não substitui o exame preventivo. São estratégias complementares. 

2. Papanicolau (exame preventivo) 

O exame citopatológico do colo do útero, conhecido como Papanicolau, detecta alterações nas células antes que elas evoluam para câncer. 

A recomendação habitual é: 

  • Iniciar aos 25 anos (ou após início da vida sexual). 
  • Realizar anualmente nos dois primeiros exames. 
  • Seguir de acordo com a indicação do médico. 

O exame é simples, rápido e continua sendo uma das principis ferramenta de prevenção no Brasil. 

3. Teste de HPV 

O teste molecular para HPV identifica a presença do vírus de alto risco. 

Ele pode ser usado: 

  • Como complemento ao Papanicolau. 
  • Em alguns protocolos, como método primário de rastreamento. 

Em determinadas situações, quando o teste de HPV é negativo, o intervalo entre exames pode ser maior, porque o risco de lesão significativa é muito baixo. 

A indicação depende da idade e do histórico da paciente. 


Sintomas do HPV 

Na maioria das vezes, o HPV não causa sintomas. Quando aparecem, podem incluir: 

  • Verrugas genitais (nos tipos de baixo risco). 
  • Sangramento fora do período menstrual (em casos avançados). 
  • Dor pélvica ou dor durante a relação (também em estágios mais tardios). 

O problema é justamente esse: esperar sintomas não é estratégia segura. A prevenção depende do rastreamento regular. 


Quem tem HPV sempre desenvolve câncer? 

Não. A maioria das infecções é transitória e desaparece espontaneamente em até dois anos. 

O risco aumenta quando: 

  • A infecção é persistente por tipos de alto risco. 
  • Não há acompanhamento regular. 
  • Existem fatores associados, como tabagismo e imunossupressão. 

O câncer do colo do útero é resultado de um processo gradual, que pode levar muitos anos, o que reforça a importância do rastreamento periódico. Com informação clara e exames feitos na periodicidade correta, é possível reduzir drasticamente o risco de evolução para câncer. 

Se você recebeu pedido médico para exame preventivo ou teste de HPV, organize a realização com antecedência, verifique valores e mantenha seus exames dentro do intervalo recomendado.