Glaucoma: exames, sinais de alerta e quando investigar 

O glaucoma é uma doença ocular que pode levar à perda progressiva e irreversível da visão. O principal problema é que, na maioria dos casos, ele evolui de forma silenciosa. Quando surgem sintomas perceptíveis, o dano ao nervo óptico já pode ser significativo. 

Por isso, entender como diagnosticar é essencial. O diagnóstico não depende de um único exame, mas de uma avaliação oftalmológica completa, que combina diferentes métodos. 


O que é glaucoma? 

Glaucoma é um grupo de doenças caracterizadas por dano progressivo ao nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular. 

O tipo mais comum é o glaucoma de ângulo aberto, que evolui lentamente e sem dor. Existe também o glaucoma de ângulo fechado, menos frequente, mas potencialmente mais agudo e sintomático. 

Sem tratamento, o a doença pode causar perda do campo visual e, em casos avançados, cegueira. 


Quais são os principais sintomas? 

Na maioria dos casos, especialmente no glaucoma de ângulo aberto, não há sintomas nas fases iniciais. A perda visual começa pela visão periférica e pode passar despercebida por anos. Quando a visão central é afetada, a doença já está avançada. 

No glaucoma de ângulo fechado agudo, podem surgir: 

  • Dor ocular intensa 
  • Vermelhidão 
  • Náusea e vômito 
  • Visão embaçada 
  • Sensibilidade à luz 

Esse quadro exige atendimento imediato. 


Como é feito o diagnóstico? 

O diagnóstico envolve um conjunto de exames realizados pelo oftalmologista. Não é possível confirmar glaucoma apenas medindo a pressão ocular. 

Os principais exames incluem: 

1. Tonometria (medição da pressão intraocular) 

A tonometria mede a pressão dentro do olho. Valores elevados aumentam o risco de glaucoma, mas é importante destacar: 

  • Nem toda pressão alta significa glaucoma. 
  • É possível ter glaucoma com pressão normal (glaucoma de pressão normal). 

Por isso, a pressão isoladamente não fecha diagnóstico. 


2. Avaliação do nervo óptico (fundoscopia)
 

O médico examina o fundo do olho para avaliar a aparência do nervo óptico. 

No glaucoma, pode haver aumento da escavação do nervo óptico — uma alteração estrutural característica. 

Hoje, essa avaliação também pode ser complementada por exames de imagem. 


3. OCT (Tomografia de Coerência Óptica) 

A OCT é um exame de imagem que analisa a espessura das fibras nervosas da retina. 

Ela permite detectar alterações estruturais precoces, muitas vezes antes da perda funcional aparecer no campo visual. 


4. Campimetria (exame de campo visual) 

A campimetria avalia a visão periférica. 

O paciente responde a estímulos luminosos em diferentes pontos do campo visual, permitindo identificar áreas de perda visual. 

Esse exame detecta o impacto funcional da doença e é essencial tanto para diagnóstico quanto para acompanhamento da progressão. 


5. Gonioscopia 

A gonioscopia avalia o ângulo entre a íris e a córnea, classificando o tipo de glaucoma (ângulo aberto ou fechado). 

Essa informação orienta o tratamento e o risco de crises agudas. 


Quem deve investigar? 

Alguns fatores aumentam o risco: 

  • Idade acima de 40 anos 
  • Histórico familiar de glaucoma 
  • Pressão intraocular elevada 
  • Miopia alta 
  • Diabetes 
  • Uso prolongado de corticoides 

Pessoas com fatores de risco devem realizar avaliação oftalmológica periódica, mesmo sem sintomas. 

Em geral, recomenda-se consulta anual após os 40 anos — ou antes, se houver histórico familiar. 


Tem cura? 

O dano causado ao nervo óptico é irreversível. Por isso, o objetivo do tratamento é controlar a pressão intraocular e impedir a progressão. 

Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de preservar a visão. 

Se você tem fatores de risco ou recebeu pedido para exames como OCT ou campimetria, agende a avaliação dentro do prazo recomendado. No caso do glaucoma, regularidade faz diferença real na preservação da visão.